O Mundo Assombrado pelo Esquerdismo!

O mundo assombrado pelo esquerdismo!

Sou capitalista! Sempre fui contra a Zona do Euro, contra as grandes corporações, contra os grandes banqueiros mundiais, contra o FED e todas as coisas que a Europa fez durante os últimos anos para chegar ao nível que está. Achou estranho? Calma que é só o começo.  Nunca antes na história desse país houve a tanta necessidade de dizer que defender o capitalismo é justamente defender o contrário de tudo isso.  Mais certa do que todas as teorias apocalípticas dos “2012 retardados” é a idéia que 2011 foi um ano em que mais uma vez o mundo se viu assombrado pelo esquerdismo.

Em 2011, a Inglaterra foi palco de uma verdadeira onda de vandalismo . Quem eram os protagonistas? Jovens que tiveram sua mesada cortada pelo governo que depois de tantos anos com políticas multiculturalistas de incentivo à imigração sem a mínima preocupação de integrá-los à cultura do país, foram às ruas reclamar porque seu  “apertamento” não é bom o suficiente . Ninguém quer defender a preservação do Estado-Nação, mas quem quer assumir a culpa pelos fracassos da sociedade “pluralista”?

A Europa está sendo utilizada como laboratório de políticas esquerdistas desde quando o mundo não conhecia o Super Nitendo.

No campo econômico o raio x é claro: com o passar dos anos o governo  foi tomando as rédeas da economia, regulando a competição entre as empresas através de políticas protecionistas de subsídios estatais, implantou uma política inflacionária de liberação descontrolada de crédito, e ainda passou a ter altos gastos estatais, tirando do mercado a responsabilidade de regular preços, investimentos e o aumento do padrão de vida da sociedade, tudo em nome do ‘bem estar social’.

Aqui no Brasil não é diferente. O quê podemos esperar de uma economia em desindustrialização precoce, onde o Governo sobretaxa as importações de maquinários atrapalhando a modernização da indústria nacional, e, ao mesmo tempo, permite que o dinheiro do BNDES seja utilizado na fusão do “Grupo Pão de Açúcar” com as “Casas Bahia”, concentrando na mão de um só grupo a maior fatia do mercado varejista nacional?  Mas o que é esse tipo de fato perto de agora “filho de pedreiro” poder também fazer faculdade, não é?

O que seria da esquerda sem suas vítimas sociais? Mesmo os negros serem os principais responsáveis de a escravidão ter chegado e se mantido aqui no Brasil, hoje ainda concede-se cotas em universidades e concursos públicos para os “afrodescendentes” (seu tataravô serve) em nome da democratização da cultura e das oportunidades.  Como cético que sou, desconfio de todo mundo que queira melhor o mundo. Acredito em muita coisa, principalmente que muita gente já foi morta pelos reformadores “do bem”. Já era de se saber que os “ganhos sociais” só se instalam quando se acomodam e passam a servir às velhas mazelas humanas.

Mas, voltando à nossa própria cozinha de pratos europeus, alguém pode me dizer se a Europa atual está melhor do que antes do Euro?  Se todas as medidas tomadas nestes anos foram em busca de uma sociedade mais justa, próspera e cada vez mais “auto-sustentável”, então foram esforços em vão. Duas guerras foram travadas para que uma Alemanha não ascendesse como líder soberana da Europa, e agora a Alemanha está quase dizendo a hora que os líderes dos países podem ou não defecar.

A “Social-Democracia (?)” não foi implantada pelos “Capitalistas”, mas foi arquitetado pelos auto-proclamados senhores da verdade e do bem total, que não tinham consciência de sua total falta de talento, capacidade e das conseqüências que estas medidas teriam ao mundo todo de nosso tempo.

Em verdade, se alguma dupla de cantores de funk tivesse sido enviada para sabotar toda a Europa, não seriam tão bons quantos os homens do Euro!

A Europa já foi mais bela. Hoje encontramos homens de pleno conhecimento científico e tecnológico, mas há um vazio para ser preenchido no campo político e econômico. A Europa está despoetizada. Falta-lhes uma verdadeira renovação, mas uma renovação de volta às suas origens. Uma volta à liberdade econômica, à livre iniciativa e à autonomia política. O capitalismo é um dos grandes responsáveis pelo processo de civilização da humanidade. No século passado, teorias catastróficas das mais variadas (escassez de comida, energia, etc.) eram divulgadas por todos os lados. Era impossível para a mentalidade da época pensar que 75% da população mundial (de 7 bilhões de habitantes) estaria hoje tendo o que comer e o que vestir. 

Algum leitor irritado deve estar pensando: “Tá, mas e a África?”

O que tem a África? A África que antes da chegada do “homem branco” vivia sob guerras tribais, com gente tendo seus órgãos cortados e pessoas sendo queimadas em público? A África que já vivia na miséria e vive até hoje onde nenhum europeu colocou os pés, como a Etiópia? Como diria Milton Friedman: “ A pobreza não é um problema do capitalismo, mas da falta dele”. O capitalismo não veio como um sistema que quisesse realizar milagres, mas trouxe ao mundo a internet, o celular e o viagra, que valem mais do que qualquer conversa sobre luta de classes, sexo revolucionário e direitos humanos dos cachorros. Então ele tem cumprido muito bem o seu papel. Sempre através da cooperação voluntária entre os indivíduos, respeitando sempre a liberdade individual de modo a garantir no seio social ordem, segurança e prosperidade. Como vimos, nada disso o socialismo pode oferecer.

Falo com todas as letras: qualquer sociedade construída sob o ideal esquerdista (econômico ou cultural) é tão inarticulada e artificial que não pode subsistir ao longo do tempo. A imagem que se tem do esquerdismo é de uma total decepção. E então, aonde está seu “Marx agora”? Não só ele, mas Foucault, Keynes, Barack Obama e uma lista gigantesca de material humano de péssima qualidade. É legítimo, portanto, ter a esperança que o mundo deixe de ser assombrado pelo esquerdismo, e que o velho continente volte a ter suas raízes gloriosas, que fazem parte de sua história desde a Idade Média, até os tempos atuais.

Positivismo e Perversão

Publico um excerto da obra A Nova Ciência da Política (1952), de Eric Voegelin. Este texto é fundamental para se compreender em que sentido, segundo Voegelin, o positivismo destruiu e perverteu o método e a verdade em ciência política. Voegelin parte de duas premissas fundamentais para explicar como isso se deu: a) que os métodos nas ciências empíricas têm virtude inerente, b) que os métodos das ciências naturais são os únicos critérios para qualquer explicação da realidade.

Tais premissas podem ser consideradas como ponto de partida para se refletir sobre esse fenômeno bizarro e monstruoso do reducionismo cientificista, ou seja, essas malditas tentativas de enquadrar e explicar a totalidade da realidade sob um único foco. Como se fosse possível falar de religião e estética tal como se fala de amebas e galáxias.

Isso me faz lembrar os anos que passei no colégio Técnico de Química, era lugar comum entre os colegas a expressão “química é tudo”, ou seja, o que motivava os colegas tais estudos era a fascinação da possibilidade de a Química em explicar a totalidade da realidade. Quanta ingenuidade! Bom, eu tinha quinze anos na época, e no segundo semestre, depois que caiu um exemplar de As Flores do Mal em minhas mãos, comecei a olhar tudo aquilo com extrema suspeita. A poesia é um grande exemplo de que a Ciência não dá conta de explicar a si mesma.

***

A restauração dos princípios da ciência política implica que esse trabalho é necessário porque a consciência dos princípios foi perdida. O movimento no ru­mo da nova teorização deve ser compreendido, com efeito, como uma recuperação a partir da destruição da ciência que caracterizou a-época positivista, na segunda metade do século XIX. A destruição causada pelo positivismo é conseqüência de duas premissas fundamentais.

Em primeiro lugar, o esplêndido desenvolvimen­to das ciências naturais foi responsável, juntamente com outros fatores, pela pre­missa segundo a qual os métodos utilizados nas ciências matematizantes do mun­do exterior possuíam uma virtude inerente, razão por que todas as demais ciên­cias alcançariam êxitos comparáveis se lhe seguissem o exemplo e aceitassem tais métodos como modelo.

Essa crença, por si só, era uma idiossincrasia inofensiva, e teria desaparecido quando os entusiasmados admiradores do método-modelo se pusessem a trabalhar em sua própria ciência e não obtivessem os resultados esperados. Ela tornou-se perigosa por se haver combinado com uma segunda premissa, qual seja a de que os métodos das ciências naturais constituíam um cri­tério para a pertinência teórica em geral.

A combinação desses dois conceitos re­sultou na bem conhecida série de afirmações no sentido de que qualquer estudo da realidade somente poderia ser qualificado como científico se usasse os métodos das ciências naturais; de que os problemas colocados em outros termos eram ape­nas ilusórios; de que as questões metafísicas, em especial, que não admitem res­posta através dos métodos das ciências fenomenológicas, não deveriam ser for­muladas; de que os domínios da existência que não fossem acessíveis à explora­ção por meio dos métodos-modelo não eram pertinentes; e num ponto extremo, de que tais domínios da existência nem ao menos existiam.

A segunda premissa é a verdadeira fonte do perigo. É a chave para a com­preensão da destrutividade positivista e não tem recebido, de modo algum, a aten­ção que merece. Isto porque essa segunda premissa subordina a pertinência teó­rica ao método e, por conseguinte, perverte o significado da ciência. A ciência é a busca da verdade com respeito aos vários domínios da existência. Para ela, é pertinente o que quer que contribua para o êxito dessa busca.

Os fatos são pertinentes na medida em que seu conhecimento contribua para o estudo da es­sência, enquanto que os métodos são adequados na medida era que possam ser usados efetivamente como meios para chegar a esse fim. Objetos diferentes re­querem métodos diferentes. Um cientista político que deseje compreender o sig­nificado da República de Platão não encontrará muita utilidade na matemática; um biólogo que estude a estrutura da célula não julgará convenientes os métodos da filologia clássica ou os princípios da hermenêutica.

Isto pode parecer trivial, mas ocorre que a desatenção para com as verdades elementares é uma das caracterís­ticas da atitude positivista; daí que se torne necessário elaborar o óbvio. Talvez sirva como consolo lembrar que essa desatenção é um problema perene na his­tória da ciência, uma vez que o próprio Aristóteles teve de recordar a alguns ele­mentos nocivos do seu tempo que “um homem educado” não deve esperar exa­tidão de tipo matemático em um tratado sobre política.

Se não se medir a adequação de um método pela sua utilidade com relação ao propósito da ciência; se, ao contrário, se fizer do uso de um método o critério da ciência, então estará perdido o significado da ciência como um relato verda­deiro da estrutura da realidade, como a orientação teórica do homem em seu mundo e como o grande instrumento para a compreensão da posição do homem no universo.

A ciência parte da existência pré-científica do homem, de sua par­ticipação no mundo com o seu corpo, sua alma, seu intelecto e seu espírito, e da apreensão primária de todos os domínios da existência, que lhe é assegurada por­que a própria natureza humana é a síntese desses domínios. E dessa participação cognitiva primária, prenhe de paixão, nasce o caminho árduo, o methodos, rumo à contemplação desapaixonada da ordem da existência, que constitui a essência da atitude teórica.

A questão de saber se, no caso concreto, o caminho é correto só pode porém ser resolvida ao se olhar para trás, do fim para o começo. Se o mé­todo trouxe clareza essencial ao que era apenas vislumbrado, então era adequa­do; se não conseguiu fazê-lo, ou mesmo se trouxe clareza essencial a algo sobre o que não havia interesse concreto, então ele se revelou inadequado.

Se, por exemplo, em nossa participação pré-científica na ordem de uma sociedade, em nossas experiências pré-científicas do que seja certo ou errado, do que seja justo ou injusto, sentimos o desejo de penetrar no entendimento teórico da fonte da ordem e da sua validade, podemos chegar, no curso de nossos labores, à teoria de que a justiça da ordem humana depende de sua participação no Agathon pla­tônico, no Nous aristotélico, no Logos estóico, ou na ratw aeterna tomista.

Por di­versas razões, nenhuma dessas teorias talvez nos satisfaça completamente; mas sabemos que estamos em busca de uma resposta desse tipo. Se, no entanto, o caminho nos levar à noção de que a ordem social é motivada pela ânsia do poder e pelo medo, saberemos que a essência do problema perdeu-se em algum ponto no transcurso da nossa investigação — ainda que os resultados obtidos sejam va­liosos para o esclarecimento de outros aspectos essenciais da ordem social.

Exa­minando a pergunta a partir da resposta, verificamos, portanto, que os métodos da psicologia das motivações não são adequados à exploração do problema e que, neste caso concreto, seria melhor confiar nos métodos da especulação metafísica e da simbolização teológica. (…)

*Fonte: A Nova Ciência da Política. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1982. p.18-20

O Ateísmo como decadência - Max Weber e o Desencantamento do mundo.

“Ninguém sabe se, ao término desta extraordinária evolução [do capitalismo] surgirão profetas novos e se assistirá a um pujante renascimento de idéias e ideais ou se, ao contrário, o envolverá toda uma onda de petrificação mecanizada e uma luta convulsa de todos contra todos.

Neste caso, aos últimos homens desta fase da civilização pode-se aplicar esta frase: especialistas sem espírito, gozadores sem coração.”  Weber, A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo

Estou certo de que não se presta nenhum 
serviço a uma pessoa que “vibra” com a 
religião quando se esconde dela, como 
aliás dos demais homens, 
que seu destino é viver numa época 
indiferente a Deus e aos profetas. 
(Max Weber, A ciência como vocação)

Encontrei um texto limpo, com toda a lucidez, clareza e precisão que eu procurava. Um texto de fácil entendimento, sem que haja perda da qualidade. Deus há de recompensar a nobre alma que realizou tal ato de bondade.

Quando, em seu texto “Ciência como Vocação” (1993), Max Weber afirmou que o homem “tem o destino de viver numa época sem Deus e sem profetas” (WEBER, 1993, p.30), ele fez referência ao momento denominado por alguns teóricos como “modernidade”. Para Weber, esse tempo seria caracterizado por uma intensa perda dos sentidos existenciais e essenciais de tempos passados. Segundo a teoria Weberiana, o desenvolvimento científico a partir da racionalização seria uma das causas do que ele chamou de “desencantamento do mundo”. 

“A intelectualização e a racionalização geral não significam, pois, um maior conhecimento geral das condições da vida, mas algo de muito diverso: o saber ou a crença em que, se alguém simplesmente quisesse, poderia, em qualquer momento, experimentar que, em princípio, não há poderes ocultos e imprevisíveis, que nela interfiram; que, pelo contrário, todas as coisas podem – em princípio - ser dominadas mediante o cálculo. Quer isto dizer: o desencantamento do mundo.” (WEBER, 1993, p.13)

Segundo Weber, ao contrário do que se pensou, a ciência moderna não traz grande satisfação e felicidade ao homem que a ela se dedica. Ao contrário disso, a ciência dissolve crenças que, muitas vezes, dão sentido à vida dos homens. 

“Qual é, então, sob estes pressupostos, o sentido da ciência como profissão, após o naufrágio de todas as antigas ilusões: “caminho para o verdadeiro ser”, “caminho para a verdadeira arte”, “caminho para a verdadeira natureza”, “caminho para o verdadeiro Deus”, “caminho para a felicidade autêntica”? A resposta mais simples é a que Tolstoi forneceu com as seguintes palavras: “A ciência carece de sentido, pois não tem resposta alguma para a única questão que nos interessa – “Que devemos fazer? Como devemos viver?”. Dificilmente se pode contestar o fato de que ela, com efeito, não faculta nenhuma resposta a esta questão.” (WEBER, 1993, p.18)

Partindo do conceito de “desencantamento do mundo” podemos buscar algumas relações com o conceito de “modernidade líquida” proposto por Zygmunt Bauman. Para o autor a metáfora “modernidade líquida” aponta algumas características desse tempo que te início com a modernidade, marcada pela invasão do racionalismo instrumental, pelas novas tecnologias, pelo desenvolvimento capitalista, pela globalização, pela racionalização e pelo desenvolvimento científico. Bauman afirma a modernidade-líquida (ou pós-modernidade) como um momento de “derretimento dos sólidos”, sejam eles valores e concepções, teorias científicas, tecnologias, modelo econômico e até mesmo padrões de comportamento. Segundo o autor, os sólidos se mantém e possuem durabilidade enquanto os líquidos têm a capacidade de leveza, têm flexibilidade e maleabilidade, estando sempre prontos a se adaptar.

“Mas a modernidade não foi um processo de “liquefação” desde o começo? Não foi o “derretimento dos sólidos” seu maior passatempo e principal realização? Em outras palavras, a modernidade não foi “fluida” desde sua concepção?” (BAUMAN, 2001, p.9)

Essa liquidez característica da pós-modernidade aponta um momento fruto de um movimento onde algumas mudanças fundamentais ocorreram. Podemos destacar a Revolução Industrial Inglesa do século XVIII como um dos acontecimentos que inauguraram a modernidade (período anterior à modernidade líquida). A Revolução trouxe consigo o ideal capitalista de produtividade material e de velocidade como padrão de qualidade. Esse ideal se firmou como uma das grandes bases da modernidade e também da pós-modernidade. E, dentro desse contexto, novas posturas e padrões de comportamento surgiram. Um novo modelo econômico (capitalismo) passou a ditar novas regras à essa sociedade surgida da tentativa de derretimento de antigos padrões sociais.

A produção, a velocidade, a informação, a portabilidade, e adaptabilidade são alguns dos novos padrões da pós-modernidade. Estar pronto para todas as situações e saber lidar (e até mesmo esperar) que os relacionamentos sociais e afetivos, por exemplo, sejam efêmeros, como num ciclo obrigatório de começo e fim, passou a ser um padrão de comportamento aceitável e muitas vezes desejável. Isso ilustra como a liquidez se tornou um novo sentido de comportamento ideal dentro dessa sociedade que Weber chamou de “desencantada”.

Antigos valores de solidez e durabilidade, tradição, família e religiosidade abrem espaço para a fluidez, mudança, velocidade, adaptabilidade, produtividade e racionalidade. Até mesmo as concepções de tempo e espaço se reconfiguraram nesse momento. O desenvolvimento tecnológico ampliou a possibilidade de deslocamento para diversos lugares do mundo em um curto tempo, modificando noções de distância, espaço e tempo. O surgimento da internet, da comunicação em rede e do espaço virtual também alteraram significativamente essa relação de tempo e espaço. E é nesse cenário que podemos observar como a Mídia adquire espaço e força. Ideais de consumo e produtividade são propagados de forma explícita ou velada e, muitas vezes, “preenchem” um vazio existencial dessa sociedade. 

A busca por bens materiais, por alcançar um padrão de beleza e um emprego ideal, por exemplo, tornaram-se prioridades na sociedade do “mundo desencantado”. Tais valores se apresentam como padrões de felicidade e de realização pessoal em substituição a antigas tradições de família e religiosidade, por exemplo.

É bastante comum, em tempos de modernidade líquida, que os relacionamentos sejam efêmeros e que essas relações se estabeleçam sob alicerces frágeis totalmente distintos do sentimento do amor e de valores essenciais para constituição familiar, criação dos filhos e etc. Vivemos um mundo onde o progresso tecnológico, a racionalização e a ciência não trouxeram toda a felicidade que um dia se esperou. É inegável que a ciência trouxe benefícios ao homem, principalmente benefícios técnicos. O desenvolvimento tecnológico, da medicina e da informática proporcionaram ao homem inúmeras vantagens práticas. Porém, cabe examinar como dentro desse “mundo desencantado” alguns sólidos valores foram derretidos e como a Mídia ganhou terreno nesse cenário.

À fim de compreender algumas manifestações do poder da Mídia nesse contexto tratado por Max Weber e Zygmunt Bauman, podemos nos apoiar no texto do Oliviero Toscani, “A Publicidade é um cadáver que nos sorri” (1996) para analisar o papel da mídia publicitária na atualidade.

Toscani incicia seu estudo com um texto chamado “Aleluia! O Neném faz xixi azulzinho!”, onde faz uma forte crítica à publicidade dos últimos 30 anos. O autor aponta, com uma escrita irônica e crítica, para uma sociedade ilusória e perfeita que é vendida pela mídia publicitária. Toscani chama atenção para a força dessa mídia que ocupa cada vez mais espaço e movimenta cada vez mais capital logo no início do seu texto. Para o autor, “os publicitários não cumprem a sua função: comunicar. Carecem de ousadia e de senso moral” (TOSCANI, 1996, p.25). E a publicidade, que é financiada por nós mesmos, vende imagens e mensagens cada vez mais “bestificantes” e alienadoras. 

Toscani chega a listar uma série de “crimes” que a publicidade comete à sociedade, entre eles o crime de inutilidade social, que é o fato de as grandes empresas não usarem a publicidade em prol da conscientização ambiental, ecológica e social. Ao contrário disso, as grandes empresas usam seu poder de coerção vendendo a imagem de um “mundo perfeito”.

Essa venda da imagem de um “mundo perfeito” pode ser vista como uma das formas que a mídia confere sentido no moderno mundo desencantado de Weber. Carentes de outros valores que forneçam sentido e guiem suas vidas, milhares de pessoas se apegam à valores de consumo como o caminho para a felicidade e para o bem estar. Para essas pessoas, o padrão de felicidade passa a estar condicionado ao “ter”. 

“A publicidade não vende produtos nem idéias, mas um modelo falsificado e hipnótico da felicidade. Essa ambiência ociosa e agradável não é nada mais do que o prazer de viver segundo as normas idealizadas dos consumidores ricos (…) A publicidade oferece aos nossos desejos um universo subliminar que insinua que a juventude, a saúde, a virilidade, bem como a feminilidade, dependem daquilo que compramos .” (TOSCANI, 1996, p.27 e p.28)

É possível notar que a publicidade procura vender, de diversas maneiras, a própria “felicidade”. Seja na propaganda do creme que faz a mulher rejuvenescer 10 anos em uma semana, na do carro que faz o homem ser mais bem sucedido e bonito ou na do apartamento que traz harmonia para toda a família que nele vive. E, em um mundo carente de sentidos, em tempos de “crise econômica e espiritual” (TOSCANI, 1996, p.28) a busca pelo produto felicidade torna-se a razão de viver de muitas pessoas. E essas pessoas, já carentes de sentido, de afeto e de valores acabam chegando à conclusão de que jamais chegarão a viver da forma que a publicidade prega. O efeito disso é devastador: a cada dia que passa aumentam os casos de depressão, anorexia/bulimia e síndrome do pânico. Podemos dizer que a mídia publicitária é hoje também responsável por um problema que chega a afetar a saúde pública, o que aponta para a dimensão de sua função social e de seu “poder”.

BIBLIOGRAFIA

BAUMAN, Zygmunt. Ser leve e líquido. In.: Modernidade Líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001, p.7-22.

TOSCANI, Oliviero. A publicidade é um cadáver que nos sorri. 2ª. Edição, Rio de Janeiro: Ediouro, 1996, p.13-40.

WEBER, Max “A ciência como vocação”. In.: WEBER, Max: Ciência e Política: Duas Vocações, São Paulo, Editora Cultrix, 1993.

Leia mais em: http://www.webartigos.com/articles/44897/1/MODERNIDADE-DESENCANTAMENTO-DO-MUNDO-MIDIA-E-PODER/pagina1.html#ixzz1Ua0bOUTL

A Idéia de Decadência na História Ocidental, de Arthur Herman, Tradução. - Sobre Nazismo, Cultura, Filosofia.


(…) Na verdade, cada uma das décadas entre 1870 e 1914 seria descrita como a década crítica na qual a nação alemã seria forçada a escolher entre sua integridade e saúde cultural e a destruição nas mãos da modernidade. (…) Em Vontade de potência, o confronto entre a Kultur vital e a Zivilisation superficial foi esclarecido pela questão da decadência. “A civilização tem propósitos diferentes dos da cultura”, declarou Nietzsche. “A época em que a domesticação do homem (‘civilização) foi desejada e imposta foi um tempo de intolerância contra as índoles mais corajosas e espirituais.” Por outro lado, a cultura encontra seu apogeu em tempos que são, “moralmente falando, tempos de corrupção”, como o fim do século XIX.¹


¹ Nietzsche, Will to Power, pg.75.

Este era Nietzsche – “o profeta dos profetas” – que inspiraria Oswald Spengler etalharia sua visão do destino da Alemanha e da Europa ocidental na sombria obra-prima: A decadência do Ocidente. Todavia, em aspectos decisivos, o Nietzsche de Spengler era um Nietzsche expurgado. Sem seu conhecimento ou aprovação, Nietzsche fora transformado no porta-voz do nacionalismo radical alemão e vinculado a outra tradição antiliberal, tradição essa do pessimismo racial völkish. A crença na vontade de poder serviu para justificar o autoritarismo interno e a agressão externa, enquanto a “moral do nobre” de Nietzsche, baseada nas desaparecidas aristocracias da Europa feudal e do Japão, fundia-se com a imagem dos alemães teutônicos como o novo super-homem da Europa pós-burguesia.


Capítulo 7: A Estagnação do Pensamento Alemão: Oswald Spengler e A decadência do Ocidente; pg.245-246; pg.246-247


Eles também concordavam com seus superiores intelectuais em um ponto essencial: a necessidade de a Alemanha se afirmar no palco internacional. O nacionalismo era, como foi, sua última ilusão burguesa – alguns até viam em Guilherem II a personificação do super-homem nietzschiano. Mas as aspirações nacionalistas eram muito diferentes daquelas do patriotismo convencional dos funcionários públicos e professores que se juntaram a grupos como a Liga da Marinha ou a Liga Pangermanista.¹ Para os radicais culturais a luta em si, e não quaisquer objetivos geopolíticos, era importante. A luta era um tema recorrente – Mein Kampf quer dizer “Minha luta” - um teste de forças vitais na arena onde, conforme Ernst Troeltsch declarou, “a plenitude dos espíritos nacionais combativos (…) revela suas forças espirituais mais elevadas”. Thomas Mann via a Alemanha permanentemente envolvida numa “batalha terrível, perigosa e irracional contra a entente mundial da civilização”.² Como no darwinismo de Ersnt Haeckel, a luta implicava o surgimento de elementos vitais e criativos e a extinção do fraco – isto é, o Ocidente burguês. Anos antes Nietzsche abraçara o crescente “desenvolvimento militar” e a “anarquia” da Europa dominante, uma guerra geral como uma possível rota de salvação. “Só a luta leva à felicidade na terra”, dissera Nietzsche, “o bárbaro em cada um de nós se afirma; e a besta selvagem também.” “A guerra é a criadora de tudo” era a máxima do filósofo grego favorito de Nietzsche, Hieráclito – que também vinha ser tema da dissertação de Spengler.³


¹ Chikering, We Man Who Feel Most German, pg.95-97


² Mann, Reflections of a Non-Political Man, pg.34

³ Nietzsche, Gay Science, pg.57-58; Will to Power, pg.78


Capítulo 7: A Estagnação do Pensamento Alemão: Oswald Spengler e A decadência do Ocidente; pg.265-266

(…) No verão de 1933, sob pressão dos amigos e aliados políticos, Spengler finalmente concordou em conhecer Hitler, mais precisamente no Festival de Bayreuth.Foi um momento estranho. Esses dois homens, o veterano convertido em damagogo anti-semita e o estudioso universitário transformado em mago político, se encontravam no topo do mesmo monte que Richard Wagner e Friedrich Nietzsche haviam subido juntos, debaixo de chuva, em 1876, quase sessenta anos antes. Eles representavam a confluência de dois canais profundos e velozes atravessando a paisagem cultural alemão: um fluindo de Gobineau a Wagner e Houston Chamberlain, o outro, de Nietzsche e seus seguidores nacionalistas radicais. Spengler e Hitler, ao modo deles, eram os próprios profetas do pessimismo cultural. (…)


Capítulo 7: A Estagnação do Pensamento Alemão: Oswald Spengler e A decadência do Ocidente; pg.263


Conforme mostrou H. Stuart Hughes, o crítico mais perceptivo de Spengler, um certo esnobismo também teve seu papel na hostilidade de Herr Doktor Spengler contra Hitler, um boêmio radical vulgar. A reação de Hitler foi rápida e direta: “Acusam-me de ser um bárbaro”, disse a um associado. “Claro que somos bárbaros, Estamos orgulhosos e ser bárbaros.”¹ Mas talvez a objeção definitiva de Spengler em relação a Hitler era de que a visão nazista de salvação por meio de um movimento de massa ofendia seu significado nietzschiano de relativismo histórico.


¹ Observações de Hitler a Walter Rauschning citadas em Toland, Life of Adolf Hitler, vol,1, pg.331


O pessimismo histórico assiste a um presente enfraquecido ou decadente desfazendo de modo sistemático as realizações do passado. O pessimismo cultural nietzschiano vê o presente como uma simples extensão dos mesmos valores corruptos e sem sentido do passado; a saúde cultural verdadeira, conclui, requer a rejeição de ambos. O colapso iminente de uma civilização decadente não é uma tragédia de ambos. O colapso iminente de uma civilização decadente não é uma tragédia mas motivo de comemoração. Ela ilumina o caminho para algo novo e sem precedentes, uma ordem cultural rejuvenescida erigida sobre um princípio completamente novo.


Esse novo princípio talvez fosse racial. Afinal de contas, a filosofia de Nietzsche procedia dos mesmos pressupostos vitalistas de Gobineau. Toda civilização, ambos afirmaram, baseava-se num reservatório de força vital orgânica durante sua existência, ou seja, vontade de poder. No entanto a influência mais decisiva de Nietzsche seria exercida não sobre pensadores raciais mas sobre artistas e críticos culturais. Nietzsche os inspiraria a verem a si próprios como força contrária a uma ordem social decadente. O artista moderno não pretendia ser o salvador da sociedade moderna uma vez que nada havia a ser salvo. Ao contrário, Nietzsche encorajava a noção de que atacar a tradição ocidental cultural e moral do Ocidente era em si uma expressão de saúde e renovação. O pensamento crítico no sentido nietzschiano era o primeiro estágio de uma “reavaliação de todos os valores”.¹ O artista, o crítico antiestablishment, e o “imoralista” - de Picasso e Bertolt Brecht a Sex Pistols e Madonna – de uma nova aristocracia no vazio cultural moderno.


Capítulo 7: A Estagnação do Pensamento Alemão: Oswald Spengler e A decadência do Ocidente; pg.240


(…) Spengler devorou os trabalhos de Nietzsche como um estudante de escola secundária e encontrou neles o mesmo que o romancista Thomas Mann, também jovem, encontrara: uma sensação de “autotranscendência”. O estudante Spengler se formou na Universidade de Halle, uma coleção dos cadernos de Nietzsche surgiu como Vontade de potência. Embora cuidadosamente editado e expurgado por Elisabeth Förster-Nietzsche e seus assistentes, Vontade de potência continha uma crítica afiada à sociedade burguesa decadente. Nietzsche argumentava de modo implacável que a vontade de poder podia servir como um “martelo (…) potente” para “quebrar e eliminar as raças degeneradas e deterioradas e constituir uma nova ordem de vida”. Ele prosseguiu: “É preciso uma doutrina bastante poderosa para servir de agente da procriação; fortalecendo o forte, paralisando e destruindo o fraco. O extermínio das raças decadentes (…) o poder sobre a terra como meio de produzir um tipo mais alto.”

HARRY POTTER, OGAROTO CATÓLICO

HARRY POTTER, OGAROTO CATÓLICO
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De ‘’Harry potter e o Conceito Católico’’, um ensaio por John O’Callaghan, que lecionou filosofia na Universidade de 2001 a 2003. Ele agora trabalha para a Universidade de Notre Dame.
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Por John O’Callaghan
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Scholastic Books, a editora Americana da série Harry Potter, mudou o título da primeira edição Britânica de Harry Potter e a Pedra do Filósofo para Harry Potter e a Pedra do Feiticeiro- aparentemente os leitores não podem esperar para comprar um livro com ‘’filósofo’’ no título. Mas esta mudança enganou muitos a pensar que a série trataria primordialmente sobre feitiçaria, bruxas e bruxaria. Mas não. A série trata de filosofia, literalmente o amor pelo conhecimento, o desejo de entender melhor as causas de tudo, e trata da fé em busca do entendimento, fides quaerens intellectum nesta ótima frase em Latim. Estes dois temas estão entrelaçados e tem uma herança antiga com a cultura ocidental, de Platão e Aristóteles a Agostinho e Aquino até J. K Rowling, que dá uma expressão narrativa a eles num conto moral e animado, colocando sem restrições poder e mal contra o poder do bem e do amor, uma cultura de vida versus uma cultura de morte à procura do tesouro filosofal: o conhecimento.
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Considere os ricos símbolos religiosos empregados ao longo da série: nós temos o personagem de Lúcio Malfoy- que é Lúcifer, sobrenome má fé. Temos seu filho Draco, cujo nome é latim para serpente. Temos a casa de Sonserina, novamente a serpente. Em contraste temos Grifinória, sendo gryffindor francês para Grifo Dourado- um símbolo medieval para Cristo.
Nós temos, no terceiro livro O Prisioneiro de Azkaban, Lupin, o lobo, símbolo da pobreza e de São Francisco (9ª associação com São Francisco é adequada quando pensamos na saúde de Lupin, e seus trapos que utiliza como roupas) e Sirius Black, o cão, que representa ‘’vigilãncia e fidelidade’’ frequentemente utilizada nas artes
religiosas como um símbolo de São Domingos e associado aos Dominicanos (conhecidos comumente como frades negros pelas capas escuras que utilizavam por cima de seus hábitos brancos). E o vilão deste livro, Peter Pettigrew, o rato, símbolo do mal e da destruição.
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O mais impressionante das imagens nos livros é o cervo ou gazela, que representa a piedade, aspiração religiosa, solidão, e a pureza da vida.
Harry não tem o conhecimento de que é seu pai que aparece na forma de cervo quando usa o feitiço do Patrono no terceiro livro.Lembre- se de que Harry está desmaiando, prestes a sucumbir ao beijo do dementador (um tributo nada sutil aos Nasgûl de Tolkien). Em latim, patrono significa defender ou advogar, e está ligado etimológicamente com o latim para pai ‘’expecto’’ que significa ‘eu espero’’, uma espera que pode ser pintada com esperança como no credo Niceno, expecto ressurrectionem. Então, o feitiço ‘’expecto patrono’’ significa ‘’eu espero um defensor’’. Acontece que a resposta para o pedido de Harry é seu pai, por quem tanto espera. O filho é salvo pela sua oração, e então se vê de pé perto de um cervo na margem do rio. Mais tarde o sábio Dumbledore explica, ‘’seu pai vive em você, Harry, e se mostra mais claramente quando você precisa dele…’’
Talvez o símbolo mais dramático e notável de a Pedra do Filósofo, no entanto, é o unicórnio abatido por Voldemort. Na arte medieval, o unicórnio era o símbolo para a pureza; a lenda conta que apenas uma virgem poderia capturá- lo. O animal correria até a virgem, deitaria a cabeça em seu colo e dormiria. Por motivos óbvios foi personificado como um símbolo de Jesus e de Maria. Quando Hagrid e as crianças contaram ao centauro Ronan que um unicórnio foi morto na floresta, Ronan responde ‘’os inocentes são sempre as primeiras vítimas… assim foi nas eras passadas, assim tem sido até agora’’. Nuam luz religiosa e com a associação de Jesus e Maria, essas palavras lembram o leitor da morte dos inocentes nas mãos de Herodes.
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O nome de Voldemort significa ‘’aquele que deseja a morte’’. Mas ele não a deseja para si, ele deseja a vida eterna que a Pedra Filosofal o concederia. Não: ele deseja a morte para os outros como o preço para sua vida eterna. Este é o porquê de ele ter matado o unicórnio e tentado matar Harry. Na cena, ele diz a Harry que as idéias de bem e mal são imaturas e ‘’ridículas’’. Ele diz, ‘’não há bem e mal, apenas o poder, e aqueles que são fracos para conseguí- lo’’. Para o leitor atento, esta é uma referência direta a Niezstche, que argumentou que este desejo de poder é o coração da filosofia, e o desejo secreto da busca moderna por autonomia absoluta. E ainda o amor autêntico da mãe de Harry o protege, e conquista esta busca por livre escolha. O bem, associado ao amor, triunfa sobre o mal.
Finalmente, o símbolo mítico de Dumbledore é a Fênix, novamente um símbolo medieval de Cristo por conta de sua habilidade de ressurgir das cinzas no terceiro dia após ser consumido em holocausto. É a fênix que vem a Harry na Câmara Secreta, quando ele se lembra da promessa de Dumbledore de permanecer em Hogwarts enquanto alguém pensa nele. A fênix dá a Harry a espada de Godric Grifinória com a qual ele mataria o basilisco. O nome ‘Godric’ é do inglês pré- normando que significa ‘’o poder de Deus’’. Então temos na cena a associação de dois símbolos de cristo, a fênix e o grifo. E o presente dado a Harry é o poder de Deus, o poder de Cristo, para matar o basilisco, um símbolo de Satã.
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Em suma: Hogwarts não é uma escola de feitiçaria e das maestrias ocultas da natureza. É uma escola de virtude, uma comunidade de investigação em busca da sabedoria, uma academia de filosofia.


Após o final das gravações…


Após o final das gravações…

(Reblogged from i-insanity)

Classe média exalta sua ‘dignidade’, mas ninguém sobrevive sendo digno

Não sou bem resolvido, tenho muitos preconceitos. Um deles é contra a classe média.

Além disso, sou cheio de maus hábitos: charutos, cachimbos, álcool, comida com sangue e não ando de bike. Para mim, o vício e a culpa são o centro da vida moral.

Enfim, não sou uma pessoa muito saudável. Por isso, não sou de confiança. Mas não pense que sofro do fígado; sou apenas um fraco.

Tenho uma amiga, muito inteligente, que costuma me chamar de “flagelo da classe média”.

Quando falo “classe média”, não olhe para seu saldo bancário, olhe para dentro de si mesmo. Classe média é um estado de espírito, e não apenas uma “alíquota” do imposto de renda ou o tipo de cartão de crédito que você tem.

Uma das marcas da classe média é pensar que, quando se fala de classe média, pensa-se essencialmente em saldo bancário.

Você pode ter muita grana e pensar como classe média, quer ver? Vou dar um exemplo de um surto de classe média em alguém que não era da classe média.

O sociólogo húngaro radicado na Inglaterra Frank Furedi, em seu livro “Therapy Culture”, comenta como a Lady Di (morta tragicamente em 1997), a “princesa da classe média inglesa” ou a “princesa do povo”, lamentou para a mídia o fato de seu então marido, príncipe Charles (herdeiro do trono da Inglaterra), ter uma amante.

Podemos imaginar uma mulher do East End londrino se sentindo irmã da então princesa porque ambas sofreriam da mesma maldição: a infidelidade em um casamento infeliz. Choravam juntas, uma na frente da TV, outra na frente das câmeras.

Lady Di nunca entendeu o que é ser da aristocracia, confundiu-se com a classe média e seus anseios de que casamento, amor e felicidade sejam uma coisa só.

Mas não há muito o que fazer com relação à realeza hoje em dia, porque vivemos no mundo da opinião pública e “ter opinião sobre tudo” é um fetiche típico do espírito de classe média. Alexis de Tocqueville (1805-1859) já dizia que a democracia é tagarela.

Quando se depende da opinião pública já não há mais saída para escapar das “redes sociais” típicas do mundo contemporâneo, no qual as pessoas têm opinião sobre tudo a partir de seus apartamentos de dois quartos com lavabo.

Basta ver o tanto de bobagens que se fala no Facebook, tipo “fui ao banheiro” ou “vomitei”. Além de “revoluções diferenciadas”, as redes sociais potencializam a banalidade humana.

Quando a classe média sonha, ela sempre pensa como Cinderela. “Querer ser feliz” é coisa de classe média.

Você pode ser milionário e ter cabeça de classe média, por exemplo, quando faz algo preocupado com o que os outros vão pensar. Nada mais típico do espírito da classe média do que citar um restaurante numa ruazinha em Paris para mostrar que conhece a cidade.

Bom-mocismo socialé o novo puritanismohipócrita do século

Por outro lado, você pode ser uma pessoa que “batalha” pela vida e não pensar como Cinderela. Basta não criar de si mesmo uma imagem de “reduto do bem e da honestidade”. O bom-mocismo social é o novo puritanismo hipócrita do início deste século.

Uma clara semelhança de espírito entre “aristocracia” e as classes sociais mais pobres (aparente absurdo) é a pouca ilusão com relação à hipocrisia social, substância da moral pública.

A primeira porque está acima da hipocrisia social (não precisa dela porque tem poder), e a segunda porque está abaixo da mesma hipocrisia social (não pode bancar a hipocrisia porque hipocrisia é um pequeno luxo).

O que caracteriza o espírito da classe média é pensar mais de si mesma do que ela é. Já que não tem nada, mas não morre de fome, fabrica de si mesma uma história de grandeza que não existe.

Por exemplo, inventa para si mesma uma “história de dignidade familiar”, quando ninguém sobrevive sendo “digno”, acha que educa bem seus filhos sempre “brilhantes”, calcula cada proteína que come, num movimento de ganância travestido de preocupação com a vida, diz coisas como “não minto”, quando, sabemos, a vida se afoga em mentiras necessárias à própria vida.

A classe média adora ter uma família de pobres como “amigos” para exibir por aí. Enfim, a classe média sofre de avareza espiritual.

‘Sou contra o aborto e sou intelectual, PhD. Vai encarar?’

Título original: Vai encarar?

por Luiz Felipe Pondé para a Folha

Sou contra o aborto. Não preciso de religião para viver, não acredito em Papai Noel, sou da elite intelectual, sou PhD, pós-doc., falo línguas estrangeiras, escrevo livros “cabeça” e não tenho medo de cara feia.

Prefiro pensar que a vida pertence a Deus. Já vejo a baba escorrer pelo canto da boca do “habitué” de jantares inteligentes, mas detenha seu “apetite” porque não sou uma presa fácil.

Lembre-se: não sou um beato bobo e o niilismo é meu irmão gêmeo. Temo que você seja mais beato do que eu. Mas não se deve discutir teologia em jantares inteligentes, seria como jogar pérolas aos porcos.

Esse mesmo “habitué” que grita a favor do aborto chora por foquinhas fofinhas, estranha inversão…

Não preciso de argumentos teológicos para ser contra o aborto. Sou contra o aborto porque acho que o feto é uma criança. A prova de que meu argumento é sólido é que os que são a favor do aborto trabalham duro para desumanizar o feto humano e fazer com que não o vejamos como bebês. E não quero uma definição “científica” do início da vida porque, assim que a tivermos, compraremos cremes antirrugas “babyskin” com cartão Visa.

Agora o tema é o “retorno” do aborto. O aborto entrou na moda neste segundo turno. É claro que esse retorno é retórico. Desde Platão, sabe-se que a democracia é um regime para sofistas e retóricos.

A relação entre democracia e marketing já era sabida como essencial desde a Grécia Antiga. Por que o espanto quando os candidatos, sabendo que grande parte da população brasileira é contra o aborto (talvez por razões religiosas vagas, talvez por “afeto moral” vago), se lançam numa batalha pelo espólio do “direito à vida”?

O marketing é uma invenção contemporânea, mas a necessidade dele é intrínseca a qualquer técnica que passe pelo convencimento de uma maioria, desde a mais tenra assembleia de neandertais.

A democracia é, na sua face sombria, um regime da mentira de massa. Quando essa mentira de massa é contra nós, reclamamos.

Não há nada de evidentemente justo em termos morais ou de moralmente “avançado” na legalização do aborto. O que há de evidente em termos morais é a desumanização do feto como processo retórico (exemplo: “Feto não é gente”) e a defesa de uma forma avançada de “safe sex”: “Quero transar com a “reserva de comportamento legal” a meu favor. Se algo der errado, lavo”.

E não me venham com “questão de saúde pública”. Esgoto é questão de saúde pública. A defesa do aborto nessas bases é apenas porque o aborto legal é mais barato. Resumindo: “Safe sex, cheap babies”. E não me digam que o feto “é da mulher”. O feto “é dele mesmo”. E não me digam que “todo o mundo avançado já legalizou o aborto”, porque esse argumento só serve para quem “ama a moda” e teme a solidão.

Não pretendo desqualificar a angústia de quem vive esse drama. Longe de mim! Mas em vez de gastarmos tanta “energia social” na defesa do aborto, por que não usarmos essa energia para recebermos essas crianças indesejadas?


Vem-me à mente dois exemplos, aparentemente de campos “opostos”.

Deveríamos aprender com a Igreja Católica e seu esforço de criar redes de recepção dessas crianças, aparando as mães em agonia e seus futuros filhos à beira da morte.

Por outro lado, são tantos os casais gays masculinos (os femininos sofrem menos porque dispõem de “útero próprio”) que querem adotar crianças e continuamos a julgá-los, equivocadamente, penso eu, incapazes do exercício do amor familiar.

Sou contra a legalização do aborto porque o considero um homicídio. Muita gente não entende essa implicação lógica quando supõe que seriam razoáveis argumentos como: “A legalização do aborto permite a escolha livre. Se sou contra, não faço. Se minha vizinha for a favor, ela faz”.
Agora, substitua a palavra “aborto” pela palavra “homicídio”, como fica o argumento? Fica assim: “A legalização do homicídio permite a escolha livre. Se sou contra, não faço. Se minha vizinha for a favor, ela faz”.

Quem é a favor do aborto não o é por razões “técnicas”, mas por “gosto” ideológico.

Ai que tédio, digo eu



por Luiz Felipe Pondé para a Folha

Tomo remédio, faço ioga, meditação, o diabo, mas não adianta. O mundo me obriga a me ocupar com coisas “menores” do tipo a política criando novos seres humanos. Temo novos seres humanos porque são monstros com cara de anjos, prefiro velhos e miseráveis viciados. Não confio em pessoas que não se reconhecem viciadas em algo. Detesto por definição toda política que quer “ensinar o Bem”.

Ninguém me engana com esse blablablá de “voto cidadão”. Aliás, melhor seria que o voto não fosse uma obrigação legal no Brasil, pois eu teria melhor uso para os feriados do que esta conversa mole ocupa.

Sei que muitos leitores dirão: “Lá vem o colunista de direita de novo, alguém o faça calar a boca!” Ai que tédio, digo eu. Que mania essa de enquadrar a selvagem multiplicidade do mundo em gavetinhas mentais!

Jurei que não iria falar dessa aberração fascista que é a guinada à esquerda do governo e seus subprodutos do tipo “3º Programa Nacional de Direitos Humanos”. Sim, fascismo e esquerdismo são chifres da mesma cabra. Muitos leitores e amigos (tenho, sim, uns poucos) me cobraram um artigo sobre as últimas tentativas do PT de refazer a esquerda “moldando” hábitos e costumes. Resisti, rezei, mas não deu.

Mas voltando às “gavetinhas mentais”. Recentemente, vimos um show de sarros com relação à possível candidata republicana à Presidência dos EUA, Sarah Palin. “Burra, tapada, caipira!” Lembremos, caros irmãos, que com o Reagan foi a mesma coisa. “Esse ator burro”, diziam. E o cara foi de longe o melhor presidente dos EUA nos últimos 40 anos. Botou a casa em ordem depois dos estragos do incompetente “bonzinho” do Jimmy Carter.

Será que os intelectuais e a mídia não aprenderam a lição? Só porque a mulher escreveu uma singela cola na mão em seu discurso em Nashvil-le, caíram de pau em cima dela. Eu achei até sensual (ela é um avião, as feias devem odiá-la) e puro vintage num mundo onde qualquer matuto brega saca um palmtop quando vai dar conferência motivacional por aí.

Outros, piores, ainda a comparam a integrantes da Klu Klux Klan (KKK). Toda vez que alguém discorda do bê-á-bá da esquerda americana, alguém saca esse lero-lero da KKK. Ai que tédio, digo eu.

Mas voltando à nossa própria cozinha. Nada tenho contra essa invenção francesa de direitos humanos. Tão francês quanto o croissant. Mas, me digam: por que alguém deve ter direito de “furar a fila” porque se veste com a roupa do outro sexo?

Acho que se vândalos espancam alguém porque ele usa roupa de mulher quando nasceu homem, devem ser punidos, assim como quem bate em velhinhas e rouba suas compras na feira deve ir em cana. Mas por que um cara deve ganhar algo do Estado só porque usa saias em vez de calças? E essa coisa de criminalizar linguagem e gestos sob suspeita de serem “homofóbicos”? Daqui a pouco, ninguém dará emprego para um gay porque, se for demiti-lo, poderá ser processado por homofobia.

O controle de linguagem e gestos é claramente prática fascista. Assim como a criação de “cidadãos” intocáveis por serem considerados vítimas a priori.

“Democraticamente”, o ideário desses caras que foram “revolucionários” e agora tomam uísque às nossas custas vai se impondo à sociedade. Qual opção nós temos, nas próximas eleições obrigatórias, além de variantes da mesma obsessão esquerdinha aguada? Nenhuma.

Reeditam a culpabilidade a priori de quem ficou rico querendo que paguem mais impostos para que tomem mais uísques de graça (em nome do povo). Ai que tédio, digo eu. Por que taxar as grandes fortunas?

Por que atacar quem move a economia punindo-os porque foram mais competentes nesse mundo cão? Eu também tenho inveja dos ricos, mas tomo remédio todo dia para isso, e vou trabalhar.

E o órgão de controle da “comunicação social”? Esse é mesmo o fim da picada. Dizem que é para combater o monopólio, mas suspeito de que seja mesmo para arrebentar quem não aceitar a “carta” fascista deles e “pontuar” negativamente os rebeldes. Puro chavismo açucarado.

Esse negócio de nos obrigar a ver “produções regionais” é um horror. Por que devo aturar programas chatos só porque quem fez se chama “alguma coisa Silva”? TV deve ser regida por competência, seja “fulano Silva”, seja “fulano Smith”.
E o MST como “gente boazinha” que só quer o nosso bem? Vão tomar a terra dos outros como se fosse evidente que esses “tomadores” são enviados de Jesus.

A oligarquia de esquerda

O pior canalha pode dizer o jargão ‘por uma sociedade mais justa’

Título original: A oligarquia de esquerda

por Luiz Felipe Pondé para a Folha

Você acredita em justiça social? Tenho minhas dúvidas. Engasgou? Como pode alguém não crer em justiça social? Calma, já explico. Quem em sã consciência seria contra uma vida “menos ruim”? Não eu. Mas cuidado: o jargão “por uma sociedade mais justa” pode ser falado pelo pior dos canalhas. Assim como dizer “vou fazer mais escolas”, dizer “sou por uma sociedade mais justa” pode ser golpe.

Aliás, que invasão de privacidade é essa propaganda política gratuita na mídia, não? O desgraçado comum, indo pro trabalho no trânsito, querendo um pouco de música pra aliviar seu dia a dia, é obrigado a ouvir a palhaçada sem graça dos candidatos. Ou o blablablá compenetrado de quem se acha sério e acredita que sou obrigado a ouvi-lo.

Mas voltando à justiça social, proponho a leitura do filósofo escocês David Hume (século 18), “An Enquiry Concerning the Principles of Morals, Section III”. Cético e irônico, Hume foi um dos maiores filósofos modernos. É conhecida sua ironia para com a ideia de justiça social. Ele a comparava aos delírios dos cristãos puritanos de sua época em busca de uma vida pura. Para Hume, os defensores de um “critério racional” de justiça social eram tão fanáticos quanto os fanáticos da fé.

Sua crítica visava a possibilidade de nós termos critérios claros do que seria justo socialmente. Mas ele também duvidava de quem estabeleceria essa justiça “criteriosa” e de como se estabeleceria esse paraíso de justiça social no mundo. Se você falar em educação e saúde, é fácil, mas e quando vamos além disso no “projeto de justiça social”? Aqui é que a coisa pega.

Mas antes da pergunta “o que é justiça social?”, podemos perguntar quem seriam “os paladinos da justiça social”. Seria gente honesta? Ou aproveitadores do patrimônio dos outros e da “matéria bruta da infelicidade humana”, ansiosos por fazer seus próprios patrimônios à custa do roubo do fruto do trabalho alheio “em nome da justiça social”? Humm…

A semelhança dos hipócritas da fé que falavam em nome da justiça divina para roubar sua alma, esses hipócritas falariam em nome da justiça social para roubar você. Ambas abstratas e inefáveis, por isso mesmo excelentes ferramentas para aproveitadores e mentirosos, as justiças divina e social seriam armas poderosas de retórica autoritária e mau-caráter.

Suspeito de que se Hume vivesse hoje entre nós, faria críticas semelhantes à oligarquia de esquerda que se apoderou da máquina do governo brasileiro manipulando uma linguagem de “justiça social”: controle da mídia, das escolas, dos direitos autorais, das opiniões, da distribuição de vagas nas universidades, tudo em nome da “justiça social”. Ataca-se assim, o coração da vida inteligente: o pensamento e suas formas materiais de produção e distribuição.

A tendência autoritária da política nacional espanta as almas menos cegas ou menos hipócritas. A oligarquia de esquerda associa as práticas das velhas oligarquias ao maior estelionato da história política moderna: a ideia de fazer justiça social a custa do trabalho (econômico e intelectual) alheio.

Outro filósofo britânico, Locke (século 17), chamava a atenção para o fato de que sem propriedade privada não haveria qualquer liberdade possível no mundo porque liberdade, quando arrancada de sua raiz concreta, a propriedade privada (isto é, o fruto do seu esforço pessoal e livre e que ninguém pode tomar), seria irreal.

Instalando-se num ambiente antes ocupado pela oligarquia nordestina, brutal e coronelista, e sua aliada, a chique oligarquia industrial paulista, os “paladinos da justiça social” se apoderam dos mecanismos de controle da sociedade e passam a produzir sucessores e sucessoras tirando-os da cartola, fazendo uso da mais abusiva retórica e máquina de propaganda.

Engana-se quem acha que propriedade privada seja apenas “sua casa”. Não, a primeira propriedade privada que existe é invisível: sua alma, seu espírito, suas ideias. É sobre elas que a oligarquia de esquerda avança a passos largos. Em nome da “justiça social” ela silenciará todos.